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"A crítica de arte é um exercício de rigor
que começa no atelier do artista"
Adriano MIXINGE
Entrevista de Isaquiel Cori
Adriano Mixinge (nascido em Luanda, em 1968), historiador e crítico de arte, lançou em Luanda o seu mais recente livro, Made in Angola: Arte Contemporânea, Artistas e Debates, com chancela da editora francesa L’Harmattan. Como o título indica, a obra é um conjunto de ensaios sobre a arte e os artistas angolanos, residentes no país ou na diáspora. É o seu segundo livro depois do romance Tanda (Chá de Caxinde, 2007). Aproveitamos a oportunidade do lançamento da nova obra de Adriano Mixinge, actualmente conselheiro cultural da embaixada angolana em França, para o abordar a respeito de questões atinentes à arte contemporânea angolana.Aproveitamos igualmente o ensejo para "mergulhar" um pouco nas origens do próprio autor, na raiz do seu interesse pela arte.
Entrevista à Pepetela
Pepetela
Pepetela: Nasceu em Angola, licenciou-se em Sociologia, foi guerrilheiro, político, ganhou o Prémio Camões em 1997, é actualmente professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Falamos naturalmente de Pepetela a quem tivemos o prazer de entrevistar
P - «E os bairros estavam vazios. Pensei, terá havido um festival de música, única razão levando toda a gente para fora dos bairros? Ou um culto monstro de uma igreja que oferece todas as curas? Nunca um fenómeno assim acontecera, bairros inteiros desertos, sem sequer um bebé, com viaturas pelos cantos, algumas de portas abertas. Devia ser outra coisa. E nada boa, disse o meu coração apertado.»
Entrevista à Mia Couto
Mia COUTO
O Outro Pé da Sereia é um livro de relatos, de miragens, de viagens que se cruzam na história e nos sonhos de alguns personagens. O Portal da Literatura conversa com Mia Couto.
P - Em que momento é que lhe surgiu a ideia de escrever O Outro Pé da Sereia?
R - Raramente se poderá dizer que um livro nasce de uma ideia. Há ideias várias, às vezes pensamentos mal formulados inicialmente, sentimentos cruzados. Um dos núcleos inspiradores foi a leitura de um documento histórico que relata o encontro do missionário D. Gonçalo da Silveira e o Imperador do Monomotapa.O encontro é muito sugestivo, rico em mal-entendidos que revelam códigos culturais diversos. Essa distância continua a marcar ainda hoje aquilo que se celebra como "encontro" de culturas.
"A poesia é a sublimação de sentimentos e emoções."
Chô DU GURY
Por: Aguinaldo Cristóvão
Os leitores sempre se podem perguntar como ocorre o processo de realização de um livro de poesia, desde o âmago do autor-escritor às palavras numa folha de papel, ou mais correntemente num laptop (computador portátil). Também suscita curiosidade a forma de inspiração de cada artista. A nossa convidada a esta conversa é essencialmente uma poetisa. Crítica, autocrítica, mas coerente. Chó do Guri faz parte de um mundo ainda diminuto mas em franca ascensão que é o das escritoras. Apesar de ter já meia dezena de livros, ser conhecida a premiação do livro Chiquinho da Camuxiba deu-lhe maior proeminência.
Descobri na poesia uma forma de erguer a minha voz
Décio BETTENCOURT MATEUS
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
«O poeta nasce do ar que respira! E o ar que o poeta respira são as situações agradáveis, difíceis e tristes, quer de ordem material, social, emocional ou outra. A minha poesia começou a manifestar-se numa altura em que era professor e experimentava inúmeras dificuldades de ordem material pois o salário era simbólico! Então descobri na poesia uma forma de erguer a minha voz».
P: Como é que o poeta se apresenta perante um papel em branco?
R: Há várias formas de escrever um poema. Cada um escreve à sua maneira. Há quem escreve um verso hoje, outro amanhã e outro depois de um mês e assim vai escrevendo os seus poemas.
«Eu inspiro-me em tudo o que
a natureza nos dá»
Cremilda LIMA
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
«O escritor, quer seja de literatura infantil quer seja de outro tipo de literatura para adultos, deve trazer sempre algo que permita que a imaginação possa viajar para este ou aquele país, conhecer este ou aquele aspecto da fauna, da flora, conhecer vivências, porque as vivências de um povo são marcadas por aquilo que é a cultura, o que se realiza no dia-a-dia, a alimentação, os trajes, os seus penteados..»
P: Falamos com Cremilda Lima, que escreve literatura infantil tendo-se iniciado na década de 80, época em que provavelmente mais se escreveu com maior profundidade para crianças. Fale-nos um pouco desta época e do contacto que teve com Dario de Melo, Octaviano Correia, entre outros.
"Para mim, o que conta mais é ter leitores em Angola"
Sousa JAMBA
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
O conflito armado, que durou 30 anos, levou à emigração de vários angolanos. Das memórias deste tempo consta o nome de um jovem que viria a tornar-se jornalista e escritor. Sousa Jamba é natural do Huambo, tem o umbundo como língua materna, e fala com semelhante aptidão o inglês e o português. Não espanta que o livro africano que mais o marcou seja The Man of the People, de Chinua Achebe. Sousa Jamba fez todos os estudos em língua inglesa, na Zâmbia, em Londres e nos Estados Unidos. Porém, afirma que nunca se desligou do continente africano e que nem pode ser considerado um exilado. Este cronista fala da paixão pelo jornalismo e "O meu sonho é ter uma bolsa para ir a uma instituição portuguesa ou brasileira para estudar, seriamente, a literatura portuguesa. Infelizmente, eu não faço parte do establishment literário", revela.
"Escrevo quando sinto necessidade de contar uma história verdadeira"
Manuel Pedro PACAVIRA
Entrevista de Aguinaldo Cristóvão
Manuel Pedro Pacavira é um dos escritores angolanos cuja obra se centra num espaço peri-urbano, onde viveu e onde buscou influências literárias. Nesta conversa, o escritor revela-se como nacionalista e testemunha ocular do processo revolucionário que levou o seu país à independência. Com 14 anos e a quarta classe feita, foi preso sem qualquer motivo, tendo sido retirado da casa dos seus pais, na calada da noite, e levado para os calabouços do Posto Administrativo da vida. Nomes como António Jacinto, Luandino Vieira, António Cardoso ou o Cónego Joaquim Manuel das Neves fazem parte da memória de Manuel Pedro Pacavira.
"Nunca tive medo do povo, porque o povo é o nosso padrinho"
Samuel DE SOUSA
Entrevista de: Aguinaldo Cristóvão
Encontrámo-nos na sede da União dos Escritores Angolanos. Trazia um chapéu e um saco que poisou a seu lado, enquanto tentava sentar. Samuel de Sousa é um nome que vale por si na literatura angolana. Com mais de 80 anos de idade, começa a padecer das sevícias da terceira idade. Tem um cancro na próstata por tratar e complicações fisiológicas. A memória já lhe vai falhando, e apenas a vitalidade de alguém que nunca bebeu e fumou lhe permite caminhar longas distâncias.
"Quando o Hino Nacional é cantado no basquete e no futebol e a selecção ganha, choro de alegria."
Manuel Rui Alves MONTEIRO
Entrevista de Isaquiel Cori
Manuel Rui, autor do Hino Nacional da República de Angola, a par do músico Rui Mingas, é, hoje, um homem inteiramente dedicado à criação literária e à advocacia, embora já tenha exercido vários cargos políticos e académicos. Foi Director-geral da Informação, Ministro da Informação no Governo de Transição para a Independência e, posteriormente, Director da Faculdade de Letras do Lubango e do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), além de professor universitário.
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