A imaginação alimenta-se de tudo. Digamos: a imaginação cria tudo isso. Ao mesmo tempo que produz, recebe os estímulos que a levam a produzir outras coisas. E sem imaginação ninguém vai a parte nenhuma. Creio que há também, neste caso, talvez duas imaginações: uma é aquela que nós próprios pomos a trabalhar, e outra é, e suponho que essa é a melhor, a que trabalha por conta própria, a que de repente nos coloca diante de alguma coisa em que não estávamos a pensar. Como se tivéssemos dois pensamentos: um que vamos acompanhando ou que nos acompanha a nós, e outro que, como digo, trabalha numa zona mais profunda e que de repente vem à superfície e diz: “Aqui tens.” Creio que é isso.